Uma incrível reflexão de quem doa a própria vida para salvar outras

oserbomO ser bombeiro

Eu sinto o cheiro da morte todos os dias. Vejo o sangue de inocentes nas minhas mãos e digo isso no sentido mais literal possível. O vermelho contrasta com minhas luvas brancas ou azuis.

Eu vejo ferimentos que permanecerão para sempre no corpo e na alma. Vejo pais, mães, filhos, companheiros e amigos partirem sem ter chance de dar um adeus. Vejo olhos se fecharem para sempre, no sono eterno e profundo de quem não terá mais chance de acordar e viver um novo dia.

Vejo a desgraça compartilhada em programas de televisão que, muitas vezes, parece distante da sua vida e da sua realidade e fazem parte da minha rotina, ao vivo e em cores.

Eu escuto os choros e soluços de parentes desesperados, gritos de agonia e de dor. Eu vejo pessoas imprudentes, violentas, perversas que interrompem a vida e a jornada de outras nesse mundo. Tantos planos, tantos sonhos que nunca mais serão alcançados.

Eu tenho que ser forte, eu preciso! Por mim, pelos meus e por você! Não sou indiferente. Muito pelo contrário, eu uso todo meu conhecimento, meu pseudo preparo físico e psicológico para evitar ou minimizar todos esses acontecimentos. Uso minha coragem e meu medo para saber quando prosseguir e quando ser prudente.

Nunca me acostumo com tragédias e com o sofrimento alheio, apenas fico pelo tempo que for necessário para cumprir a minha missão, com meus sentimentos trancados a sete chaves para que não interfiram no que preciso fazer.

Às vezes, no meu canto, eu choro, mesmo sabendo que dei o meu melhor e que não dependia mais das minhas forças a manutenção daquela vida neste plano terreno.

Mas eu luto, persisto e continuo, pois se consigo ajudar pelo menos um pai de família a chegar em casa e dar um abraço na sua esposa e no seu filho, se consigo ajudar mais uma vida a surgir das cinzas, em um parto improvisado no meio da rua ou fazendo um coração desfalecido voltar a bater no peito de uma mãe, avô ou primo… Se salvo aquele seu amigo ou amiga para que continuem dando aquela risada gostosa juntos, brincando um com o outro e vivendo aqueles momentos inesquecíveis juntos, eu já fiz a minha parte.

E quando eu não puder mais fazer, estarei feliz e satisfeito, me sentindo honrado e digno, e, principalmente, agradecido por ter feito parte de alguma maneira da vida e da história de alguém, mesmo que essa pessoa nunca mais se lembre de mim.

Fonte: http://blog.somoshomens.com.br/

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